Monday, June 23, 2008
Mudança de Derrota
agora estou aqui, ou no mesmo lugar... sei lá... é por aí... ou por aqui...
tanto faz... o endereço é novo... ou não...
Do quarto para o Mundo
ABC BJS
God Bless
Sunday, June 22, 2008
Rio
A melhor cidade do Mundo...
com minhas duas primeiras OMs (Organizações Militares), Contratorpedeiro Paraíba - D28 e Arsenal de Marinha do Rio de Janeiro - AMRJ (Ilha das Cobras).
Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, Brasil...
Cidade Maravilhosa...
1000 anos de vida para os que navegaram no Lobo do Mar!
Quem quiser conhecê-lo, é só mergulhar... Costa Sul - SW Das Ilhas Maricas - Carta 1506 – Embarcação Naufragada (Ex-Ct Paraíba) Na Posição: 23-05.72S 042-59.73W – Menor Profundidade Encontrada 39 Metros.
Saturday, June 21, 2008
Aos Evangélicos
há algumas semanas me permiti manifestar minha opinião quanto a um artigo de jornal onde o autor reclamava do excesso de igrejas construídas em Palmas/TO, propondo que fossem edificadas mais bilbiotecas, ou seja, que houvesse maior preocupação com a formação cultural do povo palmense.
Houve quem não gostasse por eu concordar com o escrito, mas retorno ao tema em razão de um fato ocorrido hoje cedo, quando estava num laboratório para fazer alguns exames.
Aguardando sua vez, ao meu lado um pastor evangélico. Aproxima-se dele o diretor do laboratório e pergunta se está melhor e já obteve o resultado do exame. E ouço o seguinte absurdo:
"Você sabe, para nós, evangélicos, é constrangedor fazer tal exame e ainda não o fiz.
Resposta do diretor:
"Mas é necessário, se o médico recomendou, precisa ser feito".
"Mas para nós, evangélicos..."
E os evangélicos seguem erigindo igrejas, em vez de construir homens. Hoje, qualquer um faz dois anos de seminário e "vira" pastor, e sai por aí fundando igreja e pregando verdadeiras aberrações que em nada são compatíveis com a realidade bíblica, cujos versículos e capítulos eles tão bem sabem identificar, sem entender o que estão pregando, já que sua leitura do texto sagrado está baseada em sua ignorância pessoal, na falta de cultura, no despreparo.
Sim, o exame que constrange, é o de próstata, segundo aquele "servo de Deus".
E eu sigo achando que o que constrange é a ignorância, que "deita e rola" no meio evangélico.
Um exame de próstata pode ser desagradável; há três meses fiz uma eletroneuromiografia que durou duas horas e que classifico de tortura; uma endoscopia é desagradável. Mas nada é constrangedor. Exames médicos são exames médicos. Não consigo visualizar que um homem procure um especialista para viver momentos de "prazer carnal" dentro de um consultório; quem faz isso, é um doente mental. Quem pensa assim... E o desagradável o é para crentes, espíritas, católicos, budistas, muçulmanos; a pesquisa médica sempre é desconfortável desagradável, desprazerosa, - em algumas vezes, assustadora.
Mas erigimos templos. E não construísmos homens. Porque alguém que seja capaz de por a vida em risco, o bem maior que Deus nos deu, não é um pastor; desculpem lá, mas é uma anta!
Desde que fui batizada, aumentou meu contato com os evangélicos e procurei também conhecer melhor essa grande fraternidade, com tantas diferentes denominações. E sempre me surpreendo com a ausência de cultura, de visão, de objetividade e clareza que encontro. Sempre me surpreende o fanatismo, o "tomar conta da vida alheia" (porque aqueles adoram ídolos, porque só nós estamos salvos....), sempre me assusta a falta de lucidez do povo de Deus; temos que cuidar da nossa vida, é dela que prestamos conta no julgamento - da vida alheia, cuida o alheio e presta sua conta a Deus.
Quando comecei a ler a Bíblia, maravilhei-me. Porque está tudo ali, não há tema que não seja abrangido de forma clara e firme. Da saúde ao financeiro, da afetividade à sexualidade. Está tudo ali. O Novo Testamento, então, é uma festa, uma alegria para a mente e o coração; porque nos traz o ensinamento de Jesus, lúcido, simples, embasado em amor e misericórdia. Jamais me arrependi - ou o farei, de ter ido em busca do meu batismo. E digo a vocês que tem sido grande e sofrido o vale que atravesso desde que tomei tal decisão; mas por pior que seja o momento, eu apenas sorrio e digo a Deus que sei o quanto Ele me ama. E Ele me ama muito! Mas se não me arrependo, sinto tristeza pela leitura medíocre que é feita da Palavra pela maioria dos que me são irmãos em fé.
Não basta construir templos; temos que edificar homens; não basta recitar como um papagaio capítulos e versículos; há que compreendê-los. Não basta aceitar o que se ouve numa pregação; há que se ouvir a voz do Espírito e buscar o que é correto; só a verdade liberta. Porque ser protestante/evangélico não pode ser um modismo; tem que ser uma prática de vida, em todos os sentidos, todos os dias.
Principalmente no Tocantins, estado tão politicamente podre e corrupto, onde o povo leva uma vida de gado, precisamos de cristãos preparados, cultos, sensíveis ao sofrimento alheio, incorruptíveis, para que possamos mudar a realidade de miséria e servidão que nos cerca. Precisamos de cristãos que se levantem contra a injustiça e o desamor - e se posicionem contra o destrato da causa humana. Fica muito fácil, como tenho ouvido, dizer que Deus está nos controle. Mas se ele não precisasse da nossa colaboração, não estaríamos aqui. Como já disse uma vez, ninguém veio ao mundo para desfilar sua beleza pelas calçadas da vida; estamos aqui a trabalho e temos que assumir nossas responsabilidades.
Então,também nacionalmente, precisamos nos posicionar, de forma clara e inequívoca, a favor da vida, contra aqueles que pretendem a liberalização do aborto; precisamos protestar contra a bancada evangélica corrupta e exigir a cassação dos "irmãos" que usam seus mandatos em benefício próprio (ou já esquecemos dos sanguessugas, com metade da bancada evangélica da câmara?), precisamos falar de exames de próstata ou de temas que envolvam a sexualidade sem falsos pudores, sem preconceitos, sem obscurantismo. Precisamos agir e não esperar que a ação caia do céu; ou alguém pode imaginar o Senhor Jesus sentado no meio fio, esperando que os vendilhões do templo fossem expulsos por algum pé de vento?
Há dois anos, quando estive em São Paulo, me surpreendi com a atitude pop star de alguns pastores. Engomadinhos, sorridentes, subindo ao púlpito numa corridinha lépida (bem ao estilo americano), fazem uma pregação rápida, não antes de algum outro não tão graduado ter preparado o público para o "gostosão" que vai honrar a todos com sua ilustre presença. Um show, um show de vaidades, mas jamais um culto ao Deus Todo Poderoso.
Hoje, ouvindo aquele pastor, uma vez mais me horrorizei. Que alienação é essa que vejo tão típica dos evangélicos? Ou andamos cheirando cola ou injetando cocaína, abrindo mão do nosso raciocínio e do nosso contato com o divino? Porque se oramos, se clamamos pela orientação, ela vem. Deus jamais nos abandona, jamais permite que andemos ao léu, sem eira nem beira, seguindo o delírio da massa que n'Ele não crê. DEUS É FIEL! E tão generoso, que disponibilizou para nós o conhecimento médico, político, cultural. E fazemos o que com isso? Levantamos paredes, para que possamos nos mostrar bonitinhos aos domingos, perfeitos cristãos, com suas Bíblias debaixo do braço, dedicados servos do Senhor. E no demais?
O presente da vida brasileira está amargo, muito amargo. É nossa obrigação moral zelar pelo futuro, não aquele distante, mas pelo futuro próximo, para que nossa descendência viva em equilíbrio, paz e justiça. É isso o que Deus quer para nós.
Justo, misericordioso e amoroso como é, o Senhor nos quer libertos, felizes, saudáveis, prósperos.
Mas construímos prédios...
E eu me pergunto o que aquele pastor lá do laboratório pregará quando sobe ao púlpito, entre as quatro paredes que terá construido; pobre igreja! Por quais constrangimentos passarão aqueles fiéis?
O povo evangélico precisa acordar. E tomar consciência do seu verdadeiro papel no mundo.
Boa noite a todos.
Paz em Deus.
Patricia Neme
Friday, June 06, 2008
Monday, May 19, 2008
Vírgula
Esse vídeo é muito legal...
Comercial sobre a liberdade de imprensa que mostra como uma simples vírgula pode alterar a história.
Sunday, March 23, 2008
Thursday, March 20, 2008
Thursday, January 17, 2008
Mais um almoço...
Entretanto para quem não gosta de ervilha, essa estava maravilhosa...
Falta, é isso! Não que minha comida seja ruim, muito pelo contrario, é muito boa, mas a comida da minha tia que já excepcional, está agora para mim, melhor ainda! Que preguiça danada...
PS: vou sujar menos louça a partir de agora...
Thursday, October 25, 2007
Thursday, October 11, 2007
“Problemas" e “Experiências”
Photo: Joao
Bom o problema não é bem um problema, e a experiência eu não sei se irei falar... Mas vou escrever qualquer até por que, esse é o problema: escrever. Estou com certa dificuldade em escrever, não em escrever qualquer coisa como estou fazendo agora, mas o problema está principalmente em Começar um texto. Estou demorando muito para começar um texto, o desenvolvimento até que é bom, razoável... Enfim, dá para entender a mensagem que desejo passar quando termina-se a leitura, só que estou realmente demorando muito para começar e acabo logicamente, perdendo um tempo precioso. Por isso que estou escrevendo esse post sem pé nem cabeça, só para “treinar” um pouco, digamos assim... E atualizar também né...
Sobre a experiência, não vou falar hoje, resolvi deixar para outra hora... Quem sabe amanhã ou semana que vem... É sobre umas paradas ‘loucas’ que estão acontecendo... Deus é muito... muito... esse troço de gíria é fogo, você acaba usando muito algumas palavras e deixando outras de lado, e, a palavra politicamente correta não é essa, mas a tal da gíria acabou fazendo dela ora ‘maneira’, ora funesta.
Deus é muito “SINISTRO”!
God Bless
Bjs
Thursday, August 23, 2007
Monday, July 30, 2007
Today!!!
Wednesday, May 16, 2007
A Viuvinha
Quando, passado um instante, o moço ergueu a cabeça, tinha o rosto banhado de lágrimas.
- Era um crime, murmurou ele, mas era um grande alívio!... Coragem!
Enxugou as lágrimas, e, recobrando a calma, abriu a carteira e dispôs-se a trabalhar. Tirou do bolso um maço de títulos e bilhetes no valor de muitos contos de réis, contou-os e escondeu tudo em uma gaveta de segredo; depois tomou nos seus livros notas das transações efetuadas naquele dia.
Fora um dia feliz.
Tinha realizado um lucro líquido de 6:000$000. Não havia engano; os algarismos ali estavam para demonstrá-lo: os valores que guardava eram a prova.
Mas essa pobreza, essa miséria que o rodeava, e que revelava uma existência penosa, falta de todos os cômodos, sujeita a duras necessidades?
Seria um avarento?...
Era um homem arrependido que cumpria a penitência do trabalho, depois de ter gasto o seu tempo e os seus haveres em loucuras e desvarios. Era um filho da riqueza, que, tendo esbanjado a sua fortuna, comprava, com sacrifício do seu bem-estar, o direito de poder realizar uma promessa sagrada.
Se era avareza, pois, era a avareza sublime da honra e da probidade; era abnegação nobre do presente para remir a culpa do passado. Haverá moralista, ainda o mais severo, que condene semelhante avareza? Haverá homem de coração, que não admire essa punição imposta pela consciência ao corpo rebelde e aos instintos materiais que arrastam ao vício?
Terminadas as suas notas, esse homem, que acabava de guardar uma soma avultada, que naquele mesmo dia tinha ganho 6:000$000 líquidos, abriu uma gaveta, tirou quatro moedas de cobre, meteu-as no bolso do colete e dispôs-se a sair.
Aquelas quatro moedas de cobre eram um segredo da expiação corajosa, da miséria voluntária a que se condenara um moço que sentia a sede do gozo e tinha ao alcance da mão com que satisfazer por um mês, talvez por um ano, todos os caprichos de sua imaginação.
Aquelas quatro moedas de cobre eram o preço do seu jantar; eram a taxa fixa e invariável da sua segunda refeição diária; eram a esmola que a sua razão atirava ao corpo para satisfação da necessidade indeclinável da alimentação.
Os ricos e mesmo os abastados vão admirar-se, por certo, de que um homem pudesse jantar no Rio de Janeiro, naquele tempo, com 160rs., ainda quando esse homem fosse um escravo ou um mendigo. Mas eles ignoram talvez, como a senhora, minha prima, a existência dessas tascas negras que se encontram em algumas ruas da cidade, e principalmente nos bairros da Prainha e Misericórdia.
Nojenta caricatura dos hotéis e das antigas estalagens, essas locandas descobriram o meio de preparar e vender comida pelo preço ínfimo que pode pagar a classe baixa.
Quando Carlos chegou ao Rio de Janeiro, uma das coisas de que primeiro tratou de informar-se, foi do modo de subsistir o mais barato possível. Perguntou ao preto de ganho que conduzira os seus trastes, quanto pagava para jantar. O preto dispendia 80rs. O moço decidiu que não excederia do dobro. Era o mais que lhe permitia a diferença do homem livre ao escravo.
Talvez ache a coragem desse moço inverossímil, minha prima. É possível.
Compreende-se e admira-se o valor do soldado; mas esse heroísmo inglório, esse martírio obscuro, parece exceder as forças do homem.
Mas eu não escrevo um romance, conto-lhe uma história. A verdade dispensa a verossimilhança.
Acompanhemos Carlos, que desce a escada íngreme do sobrado e ganha a rua em busca da tasca onde costuma jantar.
Passando diante de uma porta, um mendigo cego dirigiu-lhe essa cantilena fanhosa que se ouve à noite no saguão e vizinhança dos teatros. O moço examinou o mendigo e, reconhecendo que era realmente cego e incapaz de trabalhar, tirou do bolso uma das moedas de cobre e entrou em uma venda para trocá-la.
O caixeiro da taverna sorriu-se com desdém desse homem que trocava uma moeda de 40rs., e atirou-lhe com arrogância o troco sobre o balcão. O pobre, reconhecendo que a esmola era de um vintém, guardou a sua ladainha de agradecimentos para uma caridade mais generosa.
Entretanto o caixeiro ignorava que aquela mão que agora trocava uma moeda de cobre para dar uma esmola, já atirara loucamente pela janela montões de ouro e de bilhetes do tesouro. O pobre não sabia que essa ridícula quantia que recebia era uma parte do jantar daquele que a dava, e que nesse dia talvez o mendigo tivesse melhor refeição do que o homem a quem pedira a esmola.
O moço recebeu a afronta do caixeiro e a ingratidão do pobre com resignação evangélica, e continuou o seu caminho. Seguiu por um desses becos escuros que da Rua da Misericórdia se dirigem para as bandas do mar, cortando um dédalo de ruelas e travessas.
No meio desse beco via-se uma casa com uma janela muito larga e uma porta muito estreita.
A vidraça inferior estava pintada de uma cor que outrora fora branca, e que se tornara acafelada. A vidraça superior servia de tabuleta. Liam-se em grossas letras, por baixo de um borrão de tinta informe e com pretensões a representar uma ave, estas palavras: "Ao Garnizé".
O moço lançou um olhar à direita e à esquerda sobre os passantes, e, vendo que ninguém se ocupava com ele, entrou furtivamente na tasca.
O interior do edifício correspondia dignamente à sua aparência.
A sala, se assim se pode chamar um espaço fechado entre quatro paredes negras, estava ocupada por algumas velhas mesas de pinho.
Cerca de oito ou dez pessoas enchiam o pequeno aposento: eram pela maior parte marujos, soldados ou carroceiros que jantavam.
Alguns tomavam a sua refeição agrupados aos dois e três sobre as mesas; outros comiam mesmo de pé, ou fumavam e conversavam em um tom que faria corar o próprio Santo Agostinho antes da confissão.
Uma atmosfera espessa, impregnada de vapores alcoólicos e fumo de cigarro pesava sobre essas cabeças, e dava àqueles rostos um aspecto sinistro.
A luz que coava pelos vidros embaciados da janela mal esclarecia o aposento, e apenas servia para mostrar a falta de asseio e de ordem que reinava nesse couto do vício e da miséria.
No fundo, pela fresta de uma porta mal cerrada, aparecia de vez em quando a cabeça de uma mulher de 50 anos, que interrogava com os olhos os fregueses, e ouvia o que eles pediam.
Era a dona, a servente e ao mesmo tempo cozinheira dessa tasca imunda.
A cada pedido, a cabeça, coberta com uma espécie de turbante feito de um lenço de tabaco, retirava-se, e daí a pouco aparecia um braço descarnado, que estendia ao freguês algum prato de louça azul cheio de comida, ou alguma garrafa de infusão de campeche com o nome de vinho.
Foi nesta sala que entrou Carlos.
Mas não entrou só; porque, no momento em que ia transpor a soleira, um homem que havia mais de meia hora passeava na calçada defronte da tasca adiantou-se e deitou a mão sobre o ombro do moço.
Carlos voltou-se admirado dessa liberdade; e ainda mais admirado ficou, reconhecendo na pessoa que o tratava com tanta familiaridade o nosso antigo conhecido, o Sr. Almeida.
O velho negociante não tinha mudado; conservava ainda a força e o vigor que apesar da idade animava o seu corpo seco e magro; no gesto a mesma agilidade; no olhar o mesmo brilho; na cabeça encanecida o mesmo porte firme e direito.
- Está espantado de ver-me aqui? disse o Sr. Almeida sorrindo.
- Confesso que não esperava, respondeu o moço, confuso e perturbado.
- O mal pode ocultar-se; o bem se revela sempre; acrescentou o velho em tom sentencioso.
- Que quer dizer?
- Entremos.
- Para quê?
- O senhor não ia entrar?
Carlos recuou insensivelmente da porta, e, querendo esconder do velho negociante o seu nobre sacrifício, fez um esforço, e balbuciou uma mentira:
- Passava... por acaso... Vou ao Largo do Moura...
O Sr. Almeida fitou os seus olhos pequenos, mas vivos, no rosto do moço, que não pôde deixar de corar; e, apertando-lhe a mão com uma expressão significativa, disse-lhe :
- Sei tudo!
- Como? perguntou Carlos admirado ao último ponto.
- É aqui que costuma jantar. E por isso adivinho qual tem sido a sua existência durante estes cinco anos. Impôs-se a si mesmo o castigo da sua antiga prodigalidade; puniu o luxo de outrora com a miséria de hoje. É nobre, mas é exagerado
- Não, senhor; é justo. O que possuo atualmente, o que adquiro com o meu trabalho, não me pertence; é um depósito, que Deus me confia, e que deve servir não só para pagar as dívidas de meu pai, como também a dívida sagrada que contraí para com uma moça inocente. Gastar esse dinheiro seria roubar, Sr. Almeida.
- Bem; não argumentemos sobre isto; não se discute um generoso sacrifício: admira-se. Venha jantar comigo.
- Não posso, respondeu o moço.
- Por quê?
- Não aceito um favor que não posso retribuir.
- Quem faz o favor é aquele que aceita e não o que oferece. Demais, eu pobre, nunca me envergonhei de sentar-me à mesa de seu pai rico, acrescentou o velho com severidade.
- Desculpe!
O velho tomou o braço de Carlos, e dirigiu-se com ele ao Hotel Pharoux, que naquele tempo era um dos melhores que havia no Rio de Janeiro; ainda não estava transformado em uma casa de banhos e um ninho de dançarinas.
Poucos instantes depois, estavam os dois companheiros sentados a uma das mesas do salão; e o Sr. Almeida, com um movimento muito pronunciado de impaciência, instava para que o moço concordasse na escolha do jantar que ele havia feito à vista da data.
Carlos recusava com excessiva polidez os pratos esquisitos que o velho lembrava, e a todas as suas instâncias respondia sorrindo:
- Não quero adquirir maus hábitos, Sr. Almeida.
O velho reconheceu que era inútil insistir.
- Então o que quer jantar?
Carlos escolheu dois pratos.
- Somente?
- Somente.
- Não me meto mais a teimar com o senhor, respondeu o velho olhando de encontro à luz o rubi líquido de um cálice de excelente vinho do Porto.
Serviu-se o jantar.
O Sr. Almeida comeu com a consciência de um homem que paga bem e que não lastima o dinheiro gasto nos objetos necessários à vida. Satisfez o estômago e deixou apenas esse pequeno vácuo, tão difícil de encher, porque só admite a flor de um manjar saboroso ou de uma iguaria delicada.
Então, bebendo o seu último cálice de vinho do Porto, passando na boca as pontas do guardanapo, cruzou os braços sobre a mesa com ar de quem dispunha a conversar.
- Pode acender o seu charuto, não faça cerimônia.
- Já não fumo, respondeu Carlos simplesmente.
- O senhor já não é o mesmo homem. Não come, não bebe, não fuma; parece um velho da minha idade.
- Há uma coisa que envelhece mais do que a idade, Sr. Almeida: é a desgraça.
E além disto o senhor tem razão; não sou, nem posso ser o mesmo homem; já morri uma vez, acrescentou em voz baixa.
- Mas há de ressuscitar.
- É essa a esperança que me alimenta.
- E como vai esse negócio? perguntou o velho com interesse.
- Tem-me custado recolher as letras de meu pai; já paguei 60:000$, e amanhã devo pagar 5:000$; seis letras que me faltam não sei onde se acham. Se eu pudesse anunciar... Mas, na minha posição, receio comprometer-me.
- Pensou bem. Porém só restam por pagar essas seis letras?
- Unicamente.
- Quer saber então onde elas estão?
- É o maior favor que me pode fazer.
- Com uma condição.
- Qual?
- Que há de ouvir-me como se fosse seu pai quem lhe falasse, disse o velho, estendendo a mão.
Por toda a resposta o moço apertou, com efusão e reconhecimento, a mão leal do honrado negociante.
- Essas seis letras, disse o Sr. Almeida, estão em meu poder.
- Ah!
- Lembra-se do que lhe disse, há cinco anos, na véspera do seu casamento?
- Lembro-me de tudo.
- Era minha intenção salvar a firma de meu melhor amigo... de seu pai. Mas a sua morte suposta impossibilitou-me. O passivo da casa excedia as minhas forças. Os credores reuniram-se e resolveram fazer declarar a falência.
- De um homem morto.
- É verdade. Não o pude evitar. O mais que consegui foi abafar este negócio, comprando a alguns credores mais insofridos as suas dívidas. Eis como essas letras vieram parar à minha mão.
- Obrigado, Sr. Almeida, disse o moço comovido, ainda lhe devo mais esse sacrifício.
- Está enganado, respondeu o velho querendo dar à sua voz a aspereza habitual; não fiz sacrifício; fiz um bom negócio; comprei as letras com um rebate de 50%, ganho o dobro.
- Mas quando as comprou não tinha esperança de ser pago.
- Tinha confiança na sua honra e na sua coragem.
- E se eu não voltasse
- Era uma transação malograda; a fortuna do negociante está sujeita a estes riscos.
- Felizmente, Deus ajudou-me e quis que um dia pudesse agradecer-lhe sem corar, esse benefício. O que tinha sido da sua parte uma dádiva generosa, tornou-se um empréstimo que devo pagar-lhe hoje mesmo.
- Não consinto; prometeu-me ouvir como a seu pai; eis o que ele lhe ordena pela minha voz.
- Todas as suas dívidas acham-se pagas; a sua honra está salva; é tempo de voltar ao mundo.
- Mas as seis letras que estão em sua mão? interrompeu o moço.
- Aqui as tem, disse o Sr. Almeida entregando-lhe um pequeno maço.
- Devo-lhe então...
- Deve o que dei por elas; e me pagará quando lhe for possível.
- Não sei quanto lhe custaram esses títulos; sei que eles representam um valor emprestado a meu pai. O senhor podia perder; é justo que lucre.
- Bem; faça o que quiser.
- Quanto ao pagamento, posso realizá-lo imediatamente; já o teria feito se há mais tempo soubesse que esses títulos lhe pertenciam.
- Eu ocultei-os de propósito. Quando chegou dos Estados Unidos e me comunicou o que tinha feito e o que pretendia fazer, resolvi, para facilitar-lhe o cumprimento de seu dever, deixar que o senhor pagasse primeiro os estranhos.
- Agora, porém, essa dificuldade desapareceu; vamos à minha casa.
- Para quê?
- Para receber o que lhe devo.
- Não tratemos disso agora.
- Escute, Sr. Almeida; depois de cinco anos de provanças e misérias, não sei o que Deus me reserva. Mas, se ainda há neste mundo felicidade para mim, antes de aceitá-la é preciso que eu tenha reparado todos os meus erros; é preciso que eu me sinta purificado pela desgraça. Uma dívida, embora o credor seja um amigo, se tornaria um remorso. Tenho dinheiro suficiente para pagá-la.
- E que lhe restará?
- Um nome honrado, e a esperança
O Sr. Almeida resignou-se e acompanhou Carlos até à sua casa.
Aí, o moço abriu a carteira, e, tirando os valores que há pouco havia guardado, entregou ao negociante a quantia de 30:000$ representada pelo algarismo das seis letras.
- Já lhe disse que só me deve 15:000$, disse o velho recusando receber.
- Devo-lhe o valor integral destes títulos; se a firma de meu pai não inspirou confiança aos outros, para seu filho ela não sofre desconto.
Enquanto o Sr. Almeida, mordendo os beiços, guardava as notas do banco e os bilhetes do tesouro, Carlos abria uma pequena carteira preta, e, depois de beijar a firma de seu pai escrita no aceite, fechou com as outras essas últimas letras que acabava de pagar.
- Aqui está a minha fortuna, disse, sorrindo com altivez.
- Tem razão, respondeu o velho; porque aí está o mais nobre exemplo de honestidade.
- E também o mais belo testemunho de uma verdadeira amizade.
- Jorge!... exclamou o negociante, comovendo-se.
Alguns instantes depois, o Sr. Almeida despediu-se do moço.
- Escuso recomendar-lhe uma coisa, disse Jorge ao negociante.
- O quê?
- A continuação do segredo. Nem uma palavra!... Quando for tempo, eu mesmo o revelarei. Ainda não sou Jorge.
- Que falta?
- Depois lhe direi.
E separaram-se.
Tuesday, April 17, 2007
Muito Show...
e esse também! (eh o Clip)
Bjsss
God Bless...
Friday, April 06, 2007
Tuesday, March 13, 2007
Saturday, March 10, 2007
Fotos do Carnaval 2007, Muqui - ES
Num tah lah grande coisa não, mas como foi a primeira vez q tentei fazer isso e tb não tenho um programa muito apropriado para tal, acho que tah ateh muito bom...
God Bless
Bjsss
MTT
Friday, March 02, 2007
Friday, January 26, 2007
Depois eu falo mais...
Written by: Harper/Yates/Ford
there's no deals to be made
with the dawn
now i fear that our time
has come and gone
take a prayer with you to heaven for me
and give it to the lord
cause nothing else could save a sinner like me
but an angel's word
mama was hard on us
but we could take it
papa didn't give a damn
and he couldn't fake it
they say freedom is just a place to hide
now i'm coming to you with arms open wide
where could i go but to the lord
Saturday, January 06, 2007
O Rei do Elogio
| "Carro Velho", de Quixeramobim (interior do Ceará), toma conta do microfone da Rádio 104 para tecer os mais variados elogios a Carlinhos Elói e toda a família Balbino. Uma verdadeira aula de alogios... Muito bom Bjsss God Bless | |



